Sobre muletas, mendigos e civilização

Julho 23, 2008

Estava eu agorinha mesmo comendo uma esfiha de queijo com presunto e tomando um mate quando presenciei uma cena inusitada. Um mendigo que usava muletas – era perneta – pedia uns trocados para uma senhora no meio da rua. A mulher retirou umas moedas do bolso e entregou ao mendigo que… caiu. Sim, o mendigo perneta tentou pegar as moedas com a mão que segurava a muleta, largou-a e, obviamente, se estatelou no chão, tentando ainda, em vão, segurar-se na senhora.

 

Fui acometido por um turbilhão de pensamentos nesse momento: “deveria eu ter pedido uma esfiha de queijo?”; “as pessoas gordas deveriam ser proibidas de comer em público, principalmente comidas cremosas, salvo após fazerem um curso de civilidade e boas maneiras?”; “sair na rua vestindo moletom largo ‘estilo pijama’ e chinelo sobre meias pretas implica em desistência de qualquer possibilidade de vida social?”; “poderia o mendigo perneta ser um representante do Brasil nas olimpíadas de Pequim, desde que munido de um pula-pula?”… No entanto, resolvi escrever este texto por conta de uma última questão que me veio à mente: mendigos deveriam ser nômades ou sedentários?

 

Explico: aqui em uma das ruas principais do bairro onde moro existem dois mendigos praticamente fixos, mascotes da região: o Mendigo Escritor (uma espécie de intelectual do analfabetismo) e o Mendigo Devagar (que executa seus movimentos com a agilidade de uma tartaruga reumática e que usa chinelo num pé e tênis da Nike em outro por puro senso estético, pois possui os dois pares de ambos os calçados). Tal o carinho que nutro por estes nobres indigentes, sempre que vejo um mendigo na rua lembro logo da condição de sedentarismo pela qual optaram os ilustres mascotes da mendicância local.

 

A questão toda é a seguinte: o que seria mais rentável para um mendigo? Por um lado, ficar em uma região fixa – tipo uma rua ou esquina – traz vantagens como o conhecimento da dinâmica local, possivelmente alguns provedores constantes de comida e dinheiro e um certo domínio do território, do tipo “essa marquise é minha e ninguém tasca!”. Por outro lado, há um sentido mínimo em ajudar um indigente: “vou contribuir para que esse sujeito bastante sujo e malcheiroso possa ter um mínimo de condições de sobrevivência, e quem sabe poder assim arranjar alguma coisa para fazer”. Um mendigo que se estabeleça em um território fixo, no entanto, passa uma mensagem bastante ruim para seus colaboradores, mais ou menos a seguinte: sim, sou um bon vivant da miséria, vou ficar aqui recebendo esmolas e sobras de comida estragada pelo resto dos meus dias, mas não movo um centímetro na busca de um emprego ou de um “servicinho”.

 

Já o mendigo migrante tem um núcleo diferente de questões: há vantagens claras, como a possibilidade de inventar, a cada novo território, uma diferente história para a situação deplorável em que se encontra. Fazendo isso, o mendigo pode também se aproveitar de certos subterfúgios, certas artimanhas, como se pintar e fingir que é um calouro de faculdade para pedir dinheiro (tática subutilizada pelos mendigos, na minha opinião). Caso eu visse o Mendigo Escritor todo pintado, o máximo que poderia imaginar seria que a caneta dele estourou. O mendigo nômade também tem a possibilidade de diversificar os seus pedidos, rumando certos dias a regiões mais ricas – onde pode ganhar esmolas mais polpudas – ou regiões mais pobres – nas quais pode contar sempre com a solidariedade das famílias humildes brasileiras, e ganhar um honesto prato de feijão com farinha. Enfim, o leque de liberdades é significativamente superior. No entanto há sempre temeridades, como a competição com outros mendigos, os riscos de invadir um território já dominado por um mendigo sedentário (a cooperação entre mendigos é não mais do que uma lenda urbana) ou o simples fato da zona escolhida para aquele dia ou semana se mostrar pouco receptiva a indigentes.

 

Se tomarmos a história da civilização, há uma óbvia tendência que vai do nomadismo para o sedentarismo. Mas se mesmo com o processo civilizador os mendigos continuam mendigos, sugiro que tentem exatamente o contrário de tudo o que foi feito até então.


Para o Inferno e avante!

Julho 22, 2008

Ontem, andando pela rua, eu avistei uma senhora com problemas nas pernas, andando com duas muletas. Calma, não é por isso que eu vou pro inferno (dessa vez)! Eu consegui não rir ao lembrar do Ministery of Silly Walks!

A senhora estava obviamente com muitas dificuldades para andar. Pensei “vou oferecer ajuda”. Pensei de novo “tá, se ela saiu de casa sozinha, é porque consegue se locomover sozinha, e ela pode mandar algo do tipo tá pensando o quê?! Que eu sou uma invalida e não consigo me mover sozinha?!?!?!”. Na verdade, é exatamete isso que eu penso.

Na dúvida, eu atravessei a rua e segui minha vida.


Ferindo suscetibilidades

Julho 19, 2008

Diálogo com Amiga 1

 

Amiga 1:
Cara, depois de amanhã vou sozinha de Cracóvia pra Praga, MUITO medo!

Eu:
Pq diabos?

 

Amiga 1:

Me falaram q mtas meninas q viajam de trem sozinhas são estupradas, raptadas, mortas e etc.

 

Eu:
Jura? Mas pensando bem,
passar pelo leste europeu sem sofrer um estupro é quase o mesmo que ir à Itália e não ver o Papa, não é mesmo?

 

Amiga 1:

Ai!


Amiga 1:

Seu humor ta um pouco mais dark que o normal

 

Eu:

hehe

Mas imagina, a viagem vai ser foda

 

Eu:
Mas não foda no sentido de cheia de estupros do início ao fim, que fique claro.

 

_______

 

Diálogo com Amiga 2

 

Eu:

A Amiga 1 está indo pra Praga amanhã, e falou que ocorrem muitos estupros nessa viagem. Aí eu disse: “passar pelo leste europeu sem sofrer um estupro é quase o mesmo que ir à Itália e não ver o Papa”, há algo de muito grave aí? Ela pareceu ofendida.

 

Amiga 2

Que horrível!

Pra qualquer mulher, citar a palavra estupro casualmente é ofensivo, acho

 

Eu:

Putz, já descobri qual o meu problema com mulheres, então: sempre, pra quebrar o clima, faço alguma piada envolvendo o tema “estupro”.


Columbine Tupiniquim

Julho 7, 2008

Dizem que uma imagem vale mais do que mil palavras, certo? Como eu estou com preguiça de escrever, leiam o que outros já escreveram:

 

Não são mil, mas essas 113 palavras valem um bocado!

Enquanto os americanos matam os coleguinhas, o nosso herói desce a vassourada na criançada e pega as professoras. Boa, garoto!

Alguns são um pouco precoce. Enquanto o resto da turma estiver aprendendo a se masturbar com playboys grudadas e surrupiadas do irmão mais velho, ele estará recebendo aulas extras de sexo tântrico da professora.