Ainda nas Olimpíadas…

Agosto 18, 2008

Eu fico me questionando sobre o porquê de determinados esportes. Alguns são fáceis de se entender. Por exemplo:

Um campeão da maratona tem mais resistência que eu. Um campeão de salto em altura consegue pular mais alto que eu. Um campeão de natação nada mais rápido e melhor que eu (o que não é particularmente difícil). Um campeão de levantamento de peso é mais forte que eu (o que definitivamente não é difícil). Um campeão de Curling é uma pessoa melhor que eu de maneira geral.

Agora, no que um campeão de marcha atlética é melhor que eu? Ele consegue rebolar ridiculamente melhor?

Eu gostaria de correr melhor, saltar melhor, ser mais forte, mais resistente, ser uma pessoa melhor de maneira geral. Agora, eu definitivamente não gostaria de andar rebolando feito um travesti afetado numa passarela.

Se é pra rebolar, mandem o Jacaré (do – felizmente – falecido É o Tchan) pra lá! É medalha olímpica na certa!

Esse pessoal sabe desperdiçar um talento mesmo…

 

Em tempo: “travesti afetado” é um pleonasmo, não?


Espírito (de porco) olímpico

Agosto 17, 2008

Ahh as olimpíadas! Passar a noite toda assistindo esportes bizarros, disputas bizarras de esportes normais, disputas bizarras de esportes bizarros… e chegar atrasado no trabalho, matar aula, etc. Sério, alguém consegue ligar a televisão as 2h17 da manhã e não ficar assistindo Georgia x Tadjiquistão disputando uma partida de Hoquei na grama? Eu não!

Mas no quesito esportes bizarros nada supera as olimpiadas de inverno! Curling, bobsled e muitos outros que eu não lembro agora (afinal de contas, as últimas olímpiadas de inverno aconteceram há 2 anos). Descer uma montanha de neve e gelo num trenó é a parte divertida do inverno, mas ficar varrendo o gelo pra parar ou não um bloco de pedra é o tipo de coisa que você só faria quando estivesse frio pra cacete! e não tivesse absolutamente mais nada pra fazer. 

Mas eu sempre me questiono sobre alguns “esportes”. Se tiro ao alvo e arco e flecha são esportes, boliche, sinuca, gamão e truco também deveriam ser. E há os esportes que não são olímpicos, tipo Pelota Basca (que, por sinal, é irada!), que deveriam ser. E se as olimpiadas de inverno são uma versão “gelada” das olimpiadas, a Bocha deveria ser esporte olímpico; afinal de contas, o Curling nada mais é que uma “Bocha no gelo”, e é esporte olímpico (de inverno).

Reparem que só há equipes de Curling de países desenvolvidos e de primeiro mundo. Acho que não é coincidência. Fica aí a dica para os políticos sérios: Brasil rumo ao primeiro mundo através do Curling!


Polaróides obesas

Agosto 6, 2008

Essa seção do blog será dedicada ao relato de momentos fugazes envolvendo pessoas gordas e seus hábitos

Um gordo sentado em um café, usando roupas largas e amassadas e lendo um livro sobre automotivação. Perto dele chega uma garçonete com um prato de salada em uma mão e um prato de waffle com sorvete e calda de chocolate na outra. Qual era o pedido do nosso caro rechonchudo?

Até onde eu sei, livros não emagrecem – a não ser, talvez, que você coma o próprio livro. Mas duvido muito que o devorador de waffles chegue a boca dele perto de qualquer coisa que chame pelo nome de “folha”


Dando a volta!

Agosto 2, 2008

Antes que você comece a ler, incauto leitor, este não é um texto de motivação ou superação de barreiras. É uma ode à vagabundagem.

Eu, enquanto vagabundo amador e entusiasta da bela e clássica vadiagem profissional, sei reconhecer um ato de genialidade vadia. Explico:

Há um tempo, eu conheci um sujeito que, para ter sua privicidade mantida, será chamado de Senhor X. Pois bem, ele foi o nosso vagabundo exemplar. Primeiro vale contextualizar tal ato:

Ele tinha se formado na faculdade, morava sozinho pois sua família morava espalhada por aí (acho até que a mãe dele morava no exterior), a família tinha um situação econômica razoavelmente tranqüila e ele era sustentado pelos pais. A família não cobrava muito e o Senhor X, por sua vez, se esforçava o mínimo possível. Sua vida se resumia, basicamente, a jogar no computador, assistir esportes na TV, sair com os amigos… um vidão, eu diria!

Posto isso, começa a saga do Senhor X. Você, caro leitor, certamente já teve férias e sabe como, gradativamente, vamos dormir mais e mais tarde. Conseqüentemente, acordamos cada vez mais e mais tarde. Até que as férias acabam e nós temos que voltar o ritmo normal numa porrada só (e não adianta me falar que você passa a acordar mais cedo no final das férias para ir acostumando. Eu não acredito). E é aí que brilha a estrela de um gênio!

Imagine férias de vááários meses (calma, não precisa babar, eu te entendo). O Senhor X ia dormir cada vez mais tarde, cada vez mais tarde… e acordava cada vez mais tarde, cada vez mais tarde… até que… PIMBA! Ele começou a acordar cedo!

Não, não… ele não tomou jeito na vida, programou o despertador, botou uma gravata e foi procurar emprego. Esse lance de “Deus ajuda quem cedo madruga” foi feito só pra rimar, não tem qualquer embasamento em fatos reais. Ele passou a dormir tão tarde, que esse tarde passou a ser cedo. Acordar naturalmente as 6h da manhã… Isso se chama DAR A VOLTA!!! Ele me contou que acordava cedo e ia comprar pão fresquinho na padaria da esquina.

“Dar a volta” não é para qualquer um. Requer um empenho de vida, uma disposição total à vagabundagem. As menores coisas atrapalham: aula, trabalho, namorada… qualquer coisa que exija um mínimo de regularidade.

É por isso, Senhor X, você tem em mim um fã e tem toda a minha admiração.


Pulanu quinem pipoca!

Agosto 1, 2008

Eu gosto de comer pipoca no cinema – apesar de não o fazer desde que sou eu que pago a minha pipoca, porque não curto muito ser esfaqueado e tampouco doenças associadas a excesso de sal (estranhamente o que é salgado na pipoca afeta diretamente o meu bolso). A questão é: a pessoa que achou que levar pipoca para o cinema era um negócio extremamente bem bolado era, no mínimo, um asno. Agora já virou um hábito, não vale a pena o esforço para alterá-lo, mas, sem dúvida, se eu tivesse uma máquina para voltar no tempo e pudesse matar três pessoas à minha escolha ao longo da história humana, sem dúvida uma delas seria o “Cara Que Achou Que Pipoca No Cinema Era Uma Boa”.

Para começar, pipoca é um negócio barulhento. Mastigar pipoca é algo bastante desagradável e muita gente no cinema pensa que, como está escuro, dá pra triturar aquele milho afrescalhado com o bocão escancarado, fazendo barulho aos quatro ventos. E ainda por cima há sempre grande risco de dejetos voarem em sua direção. Além do mais, há os sacos que, além de engordurados (passam com louvor no teste de engordamento do Homer Simpson), são feitos de um tipo de papel que parece ser fabricado especialmente para fazer barulho quando amassado pela mão degradantemente animalesca (sempre imagino uma mão gorda, branca e com as pontas das unhas imundas) do devorador de pipoca – que sempre a pega aos punhados, aliás.

Esse último dado, de que as pipocas são sempre apanhadas às centenas (ou milhares), é outro fator que pronuncia contra seu uso em cinemas. Acompanhem: cinema é um lugar propício para paqueras, então é importante causar uma boa impressão. A grande vantagem de ir assistir a um filme é que uma pessoa não precisa conversar com a outra e uma pessoa pouco vê a outra por causa da escuridão. Mas a partir do momento em que a sua namorada ou pretendente “mete” uma mão gigante no saco de pipocas estupidamente engordurado e arranca dali um punhado delas – e não obstante, enfia todas na boca ao mesmo tempo, independente da relação “montante de pipocas x tamanho da boca” – é impossível não fixar o olhar para tal cena dantesca, da mesma forma que é impossível desviar o olhar de uma aberração ou de uma deformidade. É como se o filme parasse e – como na “Rosa Púrpura do Cairo” – o protagonista saísse da tela e apontasse para você, dizendo não uma declaração de amor, mas sim algo como “olhe como pipocas transformam donzelas em monstros”. É como ver a Fiona transformando-se em um ogro horrível, só que no nosso caso sabemos que o que conta não é a beleza interior, e sim as aparências mesmo. A possibilidade de comer pipoca de forma sensual, uma a uma, segurando com a ponta dos dedos e fazendo biquinho, é uma das maiores farsas inventadas pela humanidade nos últimos milênios.

Ah, o beijo no cinema! O momento mágico em que os casais namoram! Quantas canções não foram entoadas em nome do escurinho do cinema (sempre imagino o “escurinho do cinema” como um neguinho meio safado)? Que tal aproveitar e deixar logo um presentinho na boca do(a) parceiro(a), algo como uma casca de milho, por exemplo? Pois se há uma tragédia associada ao cinema – e pelo cinema ser uma dos meios de comunicação típicos da modernidade, uma das maiores desgraças do mundo contemporâneo – essa é a pipoca grudada no dente. Acho que até a bala Juquinha é menos aderente do que um milho estourado. Se o seu objetivo é compartilhar tudo com o seu querido namorado, então vá fundo e tasque um beijo nele após enfiar 50 pipocas na boca de uma vez só. E não esqueça de pegar o milho que sobra no fundo do pacote e mastigar bem forte, para não desperdiçar nada e, como sorte, ainda oferecer um pedaço de dente quebrado ao seu amado.

Além do alto potencial destrutivo que uma pipoca oferece para uma sessão de cinema, há ainda as conseqüências que traz para o pobre faxineiro. Há algo que suje mais, que se esparrame mais por qualquer lugar do que pipoca? O fato dos pacotes de pipoca conterem quantidades brutais de milho estourado somado ao fato do público não ver muita coisa na sala escura faz com que ninguém ligue se uma pipoca cai ou não no chão. E onde cai uma caem mil. Fora isso, o mais corriqueiro de acontecer é um gordinho atrasado sair correndo com seu balde de pipoca transbordando e sua piscina de coca-cola com a tampa frouxa e bum!, se estabacar no primeiro degrau em que suas pernas obesas e pouco ágeis topam. Resultado, salas imundas e grandes chances de você pisar ou sentar em alguma coisa grudenta.

Em mais um texto de utilidade pública, espero ter conseguido alertá-los para alguns (poucos) dos grandes riscos que a pipoca oferece para a vida do homem moderno.