Em um mundo moderno e imediatista, a cada dia surge uma nova ferramenta para expor as intimidades alheias. Orkut, Google Earth, Capricho OnLine… as opções são inúmeras!
Contudo, há uma dessas ferramentas que é considerada “inofensiva”: a ferramenta o que estou ouvindo, do MSN Messenger, que exibe no sub-nick do MSN a música que a pessoa está ouvindo.
Inofensiva um cacete! Independentemente dessa ferramenta entregar os podres musicais das pessoas (você pode tentar esconder, mas o MSN entrega que você está ouvindo a música nova da banda Calypso), pouca gente sabe que ele não mostra somente o que você está ouvindo, mas também o que você está vendo.
Dia desses no MSN, eu vi um amigo meu online no MSN com o seguinte apelido: Senhor X – Jenna Haze lesbian orgasm orgy.
Lição do dia: na hora do prazer solitário, desabilitar a função o que estou ouvindo do MSN. Ou usar o YouPorn.
P.s.: “Senhor X” é um nome fictício, visando preservar a imagem alheia e evitar gritos de “punheteiro!” no meio da rua.
A onda do politicamente correto tornou-se rapidamente um tsunami: colocar Hitler sambando no carnaval é motivo para ojeriza generalizada, caricaturar símbolos religiosos, nem pensar!, fazer piadas com crianças arrastadas por carros em alta velocidade faz com que as pessoas te olhem torto e se afastem como se estivessem na presença de um monstro, basta falar de estupros para… bom, melhor não falar nada relacionado a estupros. Enfim, para cada comentário humorístico feito com relação a uma minoria (mesmo que essa minoria seja maior do que 50%, como as mulheres), há pelo menos meia-dúzia de Ong’s para te censurar. Sempre vai chegar alguém pra você e falar: “epa, não diz isso, que feio!”, ou “esquimós não, o certo é inuíte, tenha um mínimo de bom senso e respeito pela humanidade e pela pluralidade, seu pamonha!” e por aí vai
Mas há resistência, meus caros. Há um último povo sobre a Terra com o qual ninguém, absolutamente ninguém, se importa: os ciganos. Ninguém defende os ciganos, ninguém liga para os sentimentos dos ciganos, ninguém protege as tradições ciganas. Se você quiser sacanear um cigano, o máximo que vai acontecer é alguém te dar um tapinha nas suas costas e dizer a plenos pulmões: “vai fundo!”. Pode ir à TV e ofendê-los, pode compará-los com o que você preferir, pode usá-los como exemplos ruins… Por que isso acontece? Bom, os ciganos sabem que roubam, sabem que aplicam golpes, sabem que tentam passar a perna em todo mundo, sabem que são desagradáveis, e estão felizes assim, é o jeito deles. Se quiser, pode implicar, não tem problema.
Há algumas Ong’s que defendem minorias ultrajadas, elas podem até falar alguma coisa dos ciganos, pedir pra que não os matem, por exemplo. Mas liberam piadas tranqüilamente, sem problema algum. Elas possivelmente também fazem piadas com ciganos, porque é quase irresistível. Na verdade, os ciganos nem se chamam ciganos, se chamam Rom, mas ninguém sabe disso, porque ninguém liga pra eles. Nem eles mesmos se consideram grandes coisas, como é possível constatar na página da Wikipedia dedicada aos Rom (na verdade o plural de Rom é Roma, mas obviamente isso é irrelevante): “A cultura cigana nunca produziu nada de significativo na pintura, na literatura, na música, na ciência”
Mas fazer humor com ciganos não é apenas uma tentação, e sim um dever. Temos neles o último bastião (ou gueto, para usar uma palavra com que o povo está mais familiarizado) da liberdade de fazer piadas ofensivas e de mau gosto.